quarta-feira, 5 de junho de 2013

O verdadeiro Silent Hill dessa geração responde por outro nome

O Poeta desceu para o lago
Para chamar a sua querida
Quando não houve resposta
Ele foi superado com o medo
Ele procurou em vão por seu tesouro perdido
E muito em breve a noite cairia
E só seu próprio eco responderia o seu chamado

The Poet and the Muse - Old Gods of Asgard




O último Humble Bundle disponibilizou os jogos Alan Wake e American Nightmare, junto com vários extras como papéis de parede, os episódios da série Night Springs (criada especialmente para o jogo Alan Wake) e a sua preciosa trilha sonora. O trecho acima é uma balada que fala da jornada do personagem homônimo, ao mesmo tempo que conta muito sobre o mythos por trás do jogo de terror da Remedy.

Embora tenha mencionado dois jogos acima, falarei aqui apenas de Alan Wake. O outro, American Nightmare, é um spin off baseado no universo de A.W., usando a mesma engine. É bom, mas não acrescenta nada à mitologia do jogo, e o bom senso dos criadores fez com que o mesmo não fosse considerado a continuação canônica da série.
O nevoeiro
Sobre Alan Wake, o jogo é confessadamente inspirado nas obras de Stephen King (O Iluminado me vem à cabeça agora), na série cult Além da Imaginação (Twilight Zone) e segundo os envolvidos na direção de arte do jogo no seriado Twin Peaks. Eu percebi uma forte influência do mito dos Antigos de H. P. Lovecratf no jogo, principalmente porque Alan Wake não é um jogo de terror comum. Não são as criaturas deformadas que assustam, como em Resident Evil, nem as alterações forçadas na jogabilidade, como em Ethernal Darkness... É o medo do desconhecido, tão usado por Lovecraft no seu conto Nas Montanhas da Loucura ou por Poe na sua Máscara da Morte Escarlate.

Alan é um escritor de sucesso, que está no meio de uma crise criativa. Sua esposa sugere descansar em uma cidade do interior, e o jogo começa com os dois chegando à Bright Falls. Eles alugam uma cabana no meio de um lago. O terror começa quando Alan volta pra cabana para descobrir que sua mulher foi levada para o fundo do lago pela "Presença" que domina aquele lugar.
Corra para a luz, Alan
Alan Wake possui dois momentos distintos que se intercalam durante todo o jogo: de dia você explora Bright Falls (magnificamente construída com a engine do jogo) e à noite, quando você acorda no meio de uma floresta, geralmente com um objetivo bem traçado de ir do ponto A ao ponto B. Nas duas partes podemos ver as qualidades do título: de dia, percorrer as belíssimas locações do jogo e à noite, experimentar o sistema de batalha, baseado em luz e sombras. Eu explico, os inimigos em AW são rodeados de uma sombra que paira sobre o lugar, uma "Presença". Alan deve mirar com sua lanterna neles, até que as sombras se dissipem, e só depois atirar para matá-los. A "Presença" domina desde humanos até carros e pontes, tudo para impedir que Alan resgate sua amada.
Bem vindos à Spring Falls
A trilha sonora é competente, com instrumentais lindas como A Writer's Dream e Welcome to Bright Falls. A trilha passeia também pelo metal com a pesada Children of the Elder God e a balada que abre esse texto - The Poet and the Muse, tocadas pela banda fictícia Old Gods of Asgard (existente apenas no universo do jogo).

Alan Wake é um dos melhores exclusivos do Xbox360 (nos consoles, porque o jogo possui versão para PC) e costuma ficar em promoção no STEAM. Não deixe de pegar a edição de colecionador, vale muito a pena. A versão para Xbox é incompleta, pois dois DLCs foram lançados depois - The Signal e The Writer, estendendo a história, e são necessários para se entender o final. Prefira a edição de colecionador pra PC que já vem completa com os DLCs.

Como um amigo me disse certa vez, quando perguntei sobre o jogo: Alan Wake é o melhor Silent Hill dessa geração.

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